A culpa é dos outros. As obrigações, também

A culpa é dos outros. As obrigações, também

14 de novembro de 2021 0 Por Redação Em Notícia

O sentido de fraternidade e compreensão da importância da participação para superar situações adversas, evoluindo, são fundamentais para mudar a realidade de uma família, da comunidade, do país e do mundo como um todo.

Só que, infelizmente, não é isso o que se vê. Ao menos, no pensamento e atitudes da imensa maioria.

Dizer a verdade é muito chato, né? Mas, é o que ocorre. Por aqui, boa parte das pessoas, por má vontade – ou nenhuma vontade – espera e até exige que seus problemas sejam resolvidos, sem que seja preciso contribuir diretamente para isso.

Ao olhar para o alto, só sabem pedir. Ao olhar para seus semelhantes, só sabem exigir. Por fim, ao olhar para os governantes, só sabem afirmar que ali está a fonte de todos os males.

Mas, quando lhes dizem que é preciso agradecer, por exemplo, pela bênção da vida, dão de ombros. Quando lhes estendem a mão em busca de ajuda, fingem não ter notado isso, ou dão uma desculpa qualquer para não agir de modo positivo. Pior ainda é quando se trata dos gestores, locais ou federais: neste caso, eles têm preguiça de analisar quem é adequado ou não para ocupar um cargo eletivo e preferem votar em quem lhes faz doces promessas de vida fácil numa shangri-la imaginária.

“Ler pra quê? Pensar pra quê? Plantar algo que dê frutos a todos pra quê? Tudo isso cansa. Melhor deixar essas coisas aos salvadores da pátria com suas ideologias pseudopaternalistas: eles têm esse dever!”

Ah, e no momento em que tudo dá errado e falta comida na despensa? Aí, aponta-se o dedo para esses gestores, sem que se dê conta do erro cometido ao escolher os mesmos. Da mesma forma, culpa-se os vizinhos e até os céus pelo estado de desgraça reinante.

Enfim, a culpa é sempre dos outros. As obrigações, também. À vitimização, soma-se mais e mais vitimizações, de toda ordem. No entanto, não adianta dizer que o copo não está repleto, simplesmente porque poucos tentam colocar água lá dentro. Aos demais, segundo suas convenientes convicções, só cabe beber.

Temo que, a continuar assim, o copo fique completamente vazio. Aliás, bem mais rápido do que se pode imaginar.

Haroldo Barbosa Filho